O Bairro do Amor

Uma varanda debruçada para a vida

segunda-feira, dezembro 13, 2004

O Escritor - parte II


Não será o meu escritor favorito. Mas se eu fosse um escritor queria ser o Paul Auster. Quando for grande quero ser como o Paul Auster. Ou parecido. Ou vagamente semelhante.
Acredito que para a maior parte das pessoas isso não queira dizer nada, que seja até aborrecido, mas para quem, como eu, vive no meio dos livros, um escritor que só escreve sobre escritores, e editores, e assistentes editoriais, e aspirantes a escritores, e sobre o mundo que os envolve, é fascinante. Também pode ser enjoativo. Mas eu acho fascinante.
Outro aspecto de que gosto particularmente na escrita do Paul Auster é o efeito matrioska: uma história dentro de uma história dentro de uma história dentro de uma história… Já está um bocado visto, mas ele tem capacidade para fugir aos lugares comuns.
Finalmente, agrada-me o ambiente de mistério, quase de sortilégio, com que Paul Auster preenche os espaços e os tempos, sem cair nos chavões do policial ou do suspense.
Isto porque estou a ler “A Noite do Oráculo”. Não é tão bom como “O Livro das Ilusões”, mas estou a gostar mesmo muito.