O Bairro do Amor

Uma varanda debruçada para a vida

domingo, abril 17, 2005

Casa da Música


'Ah porque, com o dinheiro que se gastou naquilo, dava para construir 76 Hospitais Distritais, 17 Universidades, 524 escolas, 35 918 centros de dia ou jardim-escolas, cerca de 687 952,05 ETAR's e mais ou menos 7 002 530 fogos de habitação social e mais não sei o quê.'diz o Velho do Restelo, que não é necessariamente velho nem sequer mora, provavelmente, no Restelo.

'E tem imensa razão.' digo eu. Dava para isso e, se calhar, para muito mais. E dava para pagar o vencimento e as despesas de representação de mais 200 000 directores-gerais, altos-comissários e boy's em geral, já para não falar dos Falcon's ao serviço do Vaticano e dos Ministros em gestão.

Ou então, dava para reconstruir, remodelar, reformar e requalificar todas as infraestruturas deste tipo já existentes, mas que se encontram completamente degradados e profundamente desadequados, em relação à necessidades actuais.

Também podia contribuir para reformular e redimensionar o sistema de Ensino, ou o sistema judicial, ou o sistema de investimento na Investigação e na Cultura, de forma a promover o crescimento de uma sociedade com capacidade de análise crítica, que não embarque em discursos demagógicos e provincianos, que não se deixe arrastar por histerías colectivas de cariz nacional-cordeirista.

É que, para alcançar estes fins, é essencial adquirir conhecimentos, estimular a amplitude de raciocinio, ser sujeito à influência de formas diferentes de olhar para o que nos rodeia, aprender a avaliar e discutir as realidades através de argumentos que não se enraízem em estados de alma e/ou status quo.



Olho para a Casa da Música e acredito que um dos seus objectivos passa por proporcionar aos visitantes momentos de imersão na arte e expansão da consciência.

Oiço alguns a dizer que 'só vai servir as elites' e, na mesma frase, 'nem sequer construiram um fosso de orquestra, que permita a apresentação de espectáculos de ópera e ballet'. A minha resposta é: 'hã?!?'

Naturalmente, tenho vontade de ver os responsáveis pela imoral derrapagem orçamental do projecto serem exemplarmente julgados e punidos.

Mas, apesar de tudo o que de menos positivo a possa rodear, penso que a Casa da Música é um projecto marcante e essencial para o desenvolvimento do Porto e de Portugal.

3 Comments:

  • At 8:55 da tarde, Anonymous Drocas said…

    Ou seja, a situação problemática não está na construção da Casa da Música, mas no descontrolo absoluto da gestão financeira.

     
  • At 9:24 da tarde, Blogger astianax said…

    Correcto e afirmativo. Argumentos economicista jamais poderão sobrepor-se aos valores fundamentais em que se baseia este projecto.

    A não ser que o descontrolo descambe para uma situação de "buraco negro". O que até nem me surpreendia muito, mas enfim...

     
  • At 12:02 da tarde, Anonymous Prospector said…

    Se a coisa der para o torto e provocar um buraco negro, temos que tirar daí algumas considerações:
    a) ideia de buraco negro não desagrada muitos homens sexuais; b)com uma boa instalação eléctrica sempre poderemos distribuir uns trombones e uns bombos pelos homens sexuais de modo a converter esse espaço de desolação num fosso musical; c) se os homens sexuais não tiverem jeito para instrumentos de sopro ou percussão, é só ajudá-los a atravessar para outra dimensão e chamar a próxima banda! Portanto, que mal terão os buracos negros? Deixem de lado piadas racistas! E vivam as gaitas!

     

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